Família Paraíso

Diz a família que seu fundador foi um príncipe iorubá, originário de Iyê, entre os reinos de Ibadan e de Oió, que teria sido vendido como escravo em consequência de lutas políticas. Ele viveu longos anos na Bahia, onde foi batizado com o nome de José e adotou o sobrenome de Paraíso, tendo aprendido depois a profissão de barbeiro. Foi nesta ocasião que ele se converteu ao Islã, o que lhe fez adotar também o prenome de Aboubaka.

As autoridades brasileiras lhe concederam em 12 de fevereiro de 1848 um certificado de bons serviços, e, mais tarde, em 1º de dezembro de 1849, um passaporte. É com o nome de José Aboubaka Paraíso, e na sua qualidade de barbeiro, que ele chega à Costa em janeiro de 1850, comprado por Domingos José Martins para seu conforto pessoal (Verger, 1992:34 e seg.)1. Martins colocou-o em uma das suas propriedades na praia de Ohum-Sémé, o porto de Porto Novo, como vigia e seu barbeiro privado, o que lhe valeu o apelido de “Bambero”, deformação de “barbeiro”.

Quando Martins morreu, em 1864, Paraíso foi arrolado pelo rei de Porto Novo, Dé Sodji, como parte da herança do comerciante brasileiro que lhe era destinada. Sua experiência de vida no Brasil fazia dele um homem muito útil para o reino, de modo que ele entrou para o serviço do rei na condição de lari, ou seja, serviçal de confiança, tornando-se seu principal conselheiro para as relações com as potências estrangeiras (Verger, 1992:36). Tornou-se, ainda, uma referência segura tanto para os antigos escravos islamizados que voltavam do Brasil quanto para os católicos, o que lhe deu uma grande autoridade entre a população nagô da cidade. O rei lhe concedeu a propriedade dos palmeirais de Domingos José Martins, além de um imenso terreno no bairro de Issala-Odo.

Seu primogênito Ignacio Nounassu Souleimam Paraíso tinha cerca de doze anos quando Aboubaka entrou a serviço do rei, tendo crescido na corte. Primeiramente conselheiro do rei, depois conselheiro dos franceses sob o regime de protetorado, ele tornou-se o “brasileiro” mais importante de Porto Novo na sua época. Foi um dos primeiros a apoiar as pretensões da França em Porto Novo, e fez parte do “Conselho de Defesa” durante a guerra colonial contra o rei daomeano Béhanzin, e teria mesmo fornecido tropas ao general Dodds, graças à sua influência junto aos nagôs (Turner, 1975:294).

Depois da conquista francesa, a administração colonial reconheceu os seus serviços e fez de Ignacio Paraíso o primeiro e, durante muito tempo, o único africano a ter assento no Conselho de Administração da Colônia do Daomé. Considerado como a personalidade mais importante de Porto Novo depois do rei, ele utilizou o seu prestígio para proteger a comunidade muçulmana e os numerosos “brasileiros” que foram se instalar no reino justamente devido à sua presença. Foi, ainda, o responsável pela construção da Grande Mesquita.

Ignácio Souleimam Paraíso morreu em 5 de outubro de 1939, no seu 87º ano de vida, e deixou uma imensa descendência através dos 135 filhos e filhas que teria tido, e que foram todos “inscritos no registro”, segundo a família. Seu descendente mais importante na segunda metade do século XX é Karim-Urban da Silva, seu descendente por parte de mãe. Empresário que amealhou uma grande fortuna, foi Cônsul Honorário do Brasil no Benim e fundou do Musée Da Silva, em Porto Novo.


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  • Karin Urbain da Silva, neto de Ignacio Paraíso e, na ocasião, presidente da nova “Association des Ressortissants Brésiliens – Associação de Descendentes de Brasileiros”, na cerimônia de entronização do Chachá VIII - 7 de outubro de 1995 - Uidá (Singbomey), Benim

    Karin Urbain da Silva, neto de Ignacio Paraíso e, na ocasião, presidente da nova “Association des Ressortissants Brésiliens – Associação de Descendentes de Brasileiros”, na cerimônia de entronização do Chachá VIII - 7 de outubro de 1995 - Uidá (Singbomey), Benim

  • Musée da Silva - 2010 - Porto Novo, Benim

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