Família Vieyra

O fundador da família Vieyra no Benim foi Sabino Vieyra, escravizado no Brasil que, uma vez liberto, retornou à África na primeira metade do século XIX. Estabeleceu-se primeiro em Uidá, tendo se transferido para Calavi, localidade próxima à Cotonu, por sugestão de Francisco Félix de Souza, o Chacha I, com quem tinha se associado.1 Segundo seu neto Papá Joãozinho Vieyra, chefe da família na década de 1990, Sabino se chamava na verdade Gouyé, e era originário de Agbogan, na região de Bidda, cidade situada a leste da Nigéria, às margens do rio Niger. “Ele foi vendido pelos seus irmãos – informa Papá Joãozinho – por causa de disputa entre eles, que não se amavam.”

Sua história é, em parte, contada através das louvações da família, em fom e em nagô, sendo esta a língua que os Vieyra falam entre si. A louvação é: “Djéto mi as / Agbom gon nu / Aku do gla gla / sin ma han / Do Anan mè.” Ou seja: “Vocês Djeto, vocês venderam o habitante de Abogan, mas apesar da grande seca a água não falta na folha de Anan (uma planta da região)”. 2 Efetivamente, “a água não faltou” e Gouyé de Agbogan tornou-se Sabino Vieyra, louvado em nagô: “Obi unja / omom lokpon da / omom é akoyayo / eguilomon atouloko”, o que quer dizer, segundo Papá Joãozinho, “vocês que vieram do outro lado do mar, vocês são os primeiros europeus, os primeiros europeus vindos para fazer o comércio”.

Sabino teve doze filhos, dos quis três se estabeleceram em Calavi, cinco em Porto Novo e quatro ficaram com ele em Uidá, onde ele terminou seus dias. Os que se instalaram em Calavi – Martin, Sébastien e Iaiá Marianna – conservaram o sobrenome Vieyra com um “y”, enquanto que os outros adotaram o “i” para facilitar a identificação das importações.

O exemplo mais cabal da força destes “brasileiros” ainda é a imponente mansão construída no fim do século passado por Martin Vieyra, o primogênito de Sabino. Até hoje de pé, embora um pouco arruinada, esta mansão continua sendo a maior e mais bela e imponente construção de Abomé-Calavi, hoje um subúrbio de Cotonu.

Devido ao alto custo de reforma e manutenção da antiga mansão, os Vieyra construíram no mesmo terreno uma casa mais modesta para sediar as suas reuniões. Lá está exposta uma larga coleção de retratos que, por si só, conta a história de sucesso financeiro do ramo de Calavi.


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  • Mansão construída no fim do século XIX por Martin Vieyra, o primogênito de Sabino. Embora um pouco arruinada, esta mansão continua sendo a maior e mais bela e imponente construção de Abomé-Calavi, hoje um subúrbio de Cotonu - 1995 - Abomé-Calavi, Cotonu

    Mansão construída no fim do século XIX por Martin Vieyra, o primogênito de Sabino. Embora um pouco arruinada, esta mansão continua sendo a maior e mais bela e imponente construção de Abomé-Calavi, hoje um subúrbio de Cotonu - 1995 - Abomé-Calavi, Cotonu

  • Casa da família Vieyra, em primeiro plano Alfred Vieyra e Leon Vieyra. Alfred Vieyra foi presidente da Associação DJAKAHWENDO de Abomé-Calavi. Leon Vieyra, neto de Euzebe Vieyra, já falecido, antigo funcionário do OCBN, era um grande feiticeiro - 1995 - Abomé-Calavi, Cotonu

    Casa da família Vieyra, em primeiro plano Alfred Vieyra e Leon Vieyra. Alfred Vieyra foi presidente da Associação DJAKAHWENDO de Abomé-Calavi. Leon Vieyra, neto de Euzebe Vieyra, já falecido, antigo funcionário do OCBN, era um grande feiticeiro - 1995 - Abomé-Calavi, Cotonu